Rosângela Trajano

Nasce uma estrela sempre que se escreve uma poesia

Textos


A menina da empatia

Era uma vez uma menina que morava numa rua onde as estrelas abraçavam as crianças e cuidavam dos gatos e cachorros abandonados. Era uma rua quase legal se não fossem algumas pessoas esquisitas que lá moravam.
Certo dia, morreu o homebzinho mais velho da rua. Ele tinha duzentos e cinquenta e cinco anos. Sabia de tudo. Tinha participado de várias guerras, pisou na lua junto com os astronautas americanos e sabia como ninguém contar histórias. O homem mais velho da sua rua morreu num dia de sábado.
O corpo do homem da rua da menina foi velado em casa. Ela não foi ao velório porque o seu coraçãozinho ficou pequeno demais ao pensar no sofrimento pelo qual os familiares do homenzinho estavam passando, ao se colocar no lugar deles, a se preocupar com eles. Chorou tanto a dor da morte do homenzinho e a dor dos seus parentes e amigos que encheu o seu pequeno quarto de lágrimas, de maneira que molhou o seu baú de roupas.
Na vizinhança do homenzinho, enquanto ele era velado, pessoas faziam festa, bebiam, sorriam, conversavam alto e tiravam fotos felizes. Essas pessoas não tinham empatia por ninguém nem por nada. Nunca se colocavam no lugar do outro. Nunca sentiam a dor do outro.
A menina teve vontade de ir lá, desligar o som e falar bem alto
- Vocês não está vendo o quanto há pessoas sofrendo nesta rua?
Mas, achou melhor ficar trancada no seu velho quarto de paredes rachadas chorando a dor dos parentes do homenzinho. Já era acostumada com aquela sua empatia.
Sempre que acontecia alguma coisa grave mesmo que fosse do outro lado do mundo, a menina ficava triste e se colocava no lugar das pessoas que tinham sofrido o acidente, o preconceito, a desigualdade. Enfim, ela tinha empatia que era o mesmo de se colocar no lugar do outro e sentir a sua dor, respeitar as suas opiniões e emoções.
Pela manhã, a menina viu o caixão preto do homenzinho ser carregado pelos familiares para dentro de um carro também preto. Chorou mais ainda a dor de todos.
Os vizinhos do homenzinho continuavam em festa. Eles nunca se comoveram com a dor do outro, mesmo no período de guerra eles não estavam nem aí para os soldados mortos e seus familiares. Só queriam saber de festas, bebidas e muito barulho.
Sem pode fazer nada, a menina fechou a janela e foi ler um gibi para se distrair um pouco. Afinal, era somente uma criança.

Exercícios para o bom pensar.

1 - O que é empatia?

2 - Por que a empatia é importante?

3 - Como devemos reagir diante da dor do outro?

4 - Por que a dor do outro também dói na gente?

5 - O que fazer com a dor do outro?

Desenhe a sua empatia.
Rosângela Trajano
Enviado por Rosângela Trajano em 04/09/2020
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